“A menina do vestido rosa”

Segundo ouvi dizer, isso aconteceu há algum tempo em um certo país de terceiro mundo por aí.

Um sujeito caminharia pela rua vestido em seu terno italiano, com gravata de seda de mesma origem e seus sapatos Ferracini a caminho de seu escritório após o almoço quando pisaria em uma poça de água. Revoltado por haver a água espirrado em sua bela calça e sapato. Olharia para o chão bastante nervoso e veria que na poça havia um jornal de grande circulação e, na capa, uma foto extremamente assustadora.

Não acreditando naquela imagem, teria nosso executivo parado na banca de jornais mais próxima e comprado um exemplar do jornal. Chegaria ele ao escritório, confirmaria os compromissos da tarde com sua secretária e, não tendo nada importante para a próxima hora, se sentaria para ler o jornal.

A manchete era a seguinte: “Jovem sofre bullying por roupas”. Com cara de ‘não pode ser’, nosso executivo finaliza a leitura e diz baixo:

-O título deveria ser “Jovem sofre bullying por falta de roupas”.

Voltemos ao dia anterior.

Haveria em algum lugar desconhecido (e de onde nossa protagonista não deveria jamais ter saído) uma jovem que acordava para um dia que tinha tudo para ser normal: mais um dia chato de universidade para uma garota nada popular. E assim teria sido, se nossa jovem não tivesse tido uma luz vermelha e lhe surgisse um dos poucos que conseguia formular pensamento:

“É hoje que eu fico popular. […]”

Na universidade, estariam os pobres alunos se encaminhando para suas salas de aula quando as portas principais se abririam pesadamente e todos seriam cegados por um corpo redondo e ofuscante. Não, não era o Sol. Era nossa nada bela jovem metida em uma camiseta (porque aquilo não tinha comprimento suficiente para ser chamado de mais do que isso) rosa neon. E só aquela camiseta (tudo bem, chamemos de um pseudo-vestido). Não acredito que queira imaginar, mas segundo contam era como ver um provolone rosa de um metro e sessenta.

Não deu outra, a galera caiu em peso em cima da pobre garota que só queria um pouco de atenção a chamando dos piores nomes possíveis.

“Foram bonzinhos com ela… Se fosse eu tinha batido até… Sei lá até onde, sei que tinha batido muito.” – pensaria um executivo lendo a notícia do ocorrido no jornal em seu escritório no dia seguinte.

Reza a lenda que o episódio se popularizou, e que a jovem conseguiu mais popularidade do que esperava… Falava-se que a garota dizia aos prantos que queria só estudar quieta e pegar seu diploma… Mas por uma brincadeira do destino, a jovem teria sido levada à televisão, e depois ao mecânico para uma recauchutagem total, e hoje vagaria pelo mundo das subcelebridades. Dizem ainda que ela fundaria uma grife de pseudo-vestidos cor-de-rosa.

Sobre nosso executivo… Dizem que ontem, um belo domingo, teria ele decidido ligar a televisão para se descontrair um pouco. Teria ele colocado em um desses canais populares. E estaria participando do programa uma garota que ficara famosa por ir à faculdade de vestido rosa. Era demais para nosso jovem executivo.

Hoje havia um corpo caído na rua. Ouvi dizer que era de um executivo que teria pulado da sacada de seu apartamento no vigésimo quinto andar.

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